O Verbo se fez carne, cheio de graça e de verdade.

Desde o primeiro dia, Jesus foi um fardo para quase toda a gente com quem entrou em contacto. De uma forma ou de outra, ao longo do caminho, Jesus sobrecarregou José, Maria, o Império Romano...

A preparação para o Natal costuma ser um fardo – existem as dificuldades práticas de fazer as compras, cozinhar, etc., etc., mas, para outros, ele traz um fardo diferente pelas más recordações ou experiências do passado.

Maria e José, motivados pela saudação do anjo Gabriel a José, "não tenhas medo", cooperaram com o plano de Deus e recebem Jesus como Graça, apesar do desafio e do fardo que isso significaria. Sob a influência da Graça e da Verdade, o que muitas vezes parece um fardo ou um ameaça torna-se numa bênção, uma fonte de alegria e de cura.

“Ide contar a João o que vedes e ouvis: os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são curados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e a Boa Nova é anunciada aos pobres.”. A Verdade ajuda-nos a ver o que não queremos ver - os feridos, os coxos, os pobres, os que estão caídos por terra. A Graça faz a ligação e proclama as boas novas - vê, cura, anda. A Graça sem a Verdade não encontra as pessoas onde elas estão e transforma-se num otimismo cego e não é Graça.

A Verdade é que existe muita gente a sofrer no nosso concelho, nas nossas freguesias, mas podemos responder e partilhar a graça de Deus com uma missão local. A Graça ensina-nos a ver os outros como Deus os vê. Como igreja, rezamos para receber a Graça que precisamos para sair e servir a comunidade local.

A Graça é um presente gratuito; somos livres para aceitá-lo ou rejeitá-lo. Deus não força a amá-lo. Isso significa que precisamos cooperar com Graça. João Batista combina a Graça e a Verdade numa palavra: “Arrependei-vos”. Como resultado da sua mensagem: “muitos eram batizados por ele no rio Jordão ao reconhecerem os seus pecados”.

Às vezes, queremos cooperar com a Graça, mas não com a Verdade, por isso acabamos reivindicando o perdão e as bênçãos de Deus sem que todos admitam ou se arrependam de qualquer pecado.

Às vezes, queremos cooperar com a Verdade, mas não com a Graça, por isso pensamos que os nossos pecados são muito maus ou não podemos ser perdoados.

João Batista mostra que Graça e Verdade não são um "ou-ou"; é um "e". Por outras palavras, Graça e Verdade cooperam entre si e, portanto, precisamos cooperar com a Graça e com a Verdade. Precisamos reconhecer a Verdade do nosso pecado e, depois, confiar na Graça da misericórdia de Deus.

A graça é um presente que não merecemos, gratuito do amor de Deus. A graça também é um presente inesperado. O Evangelho diz que não sabemos o dia ou a hora da vinda do Senhor: “Portanto, fiquem acordados! Pois não sabem em que dia o Senhor virá “.

Se apenas vês a "verdade", procuras saber para controlar. Por outro lado, se apenas vês a "graça", adormeces e podes não "estar preparado" para a vida.

A verdade é que não podes controlar ou calcular o tempo de Deus ou grande parte da tua vida. Isso não é uma falha no sistema - é uma graça, porque as pessoas, os momentos e as bênçãos mais importantes da vida geralmente não são planeados. O anúncio e a chegada de Cristo ao mundo foram algo totalmente inesperado. Na nossa caminhada pelo Advento, não devemos temer o inesperado da vida, mas preparar-nos para receber a verdade com graça.

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